O governador Ricardo Coutinho (PSB) acreditou que poderia desgastar a imagem do prefeito Luciano Cartaxo (PSD), no episódio que culminou com o embargo das obras do grupo Ferreira Costa, em João Pessoa. Tentou, usou todas as estratégias, mas o objetivo não foi alcançado porque Cartaxo não entrou no jogo perspicaz de Ricardo. O primeiro objetivo era de constranger o adversário ao chamá-lo para audiência no Palácio da Redenção.

Caso fosse, o prefeito seria colocado no canto da parede e interrogado pelo governador, que fez o papel de jornalista ao elaborar as perguntas ao empresário Guilherme Ferreira, que  visivelmente, se sentiu constrangido com a postura do governador. Ricardo queria que Guilherme endossasse o discurso de críticas à gestão municipal. Mesmo Coagido, Ferreira Costa se limitou a pontuar algumas tímidas observacões em relação à PMJP.

Não satisfeito, por livre e espontânea pressão, o governador incitou o representante do Ministério Público a apontar a artilharia em direção à Prefeitura, o máximo que ouviu do promotor Farias foi a proposta de tentar conciliar os interesses de ambas as partes. Frustrado com o resultado do evento, restou ao socialista o papel de assacar a imagem de Cartaxo, enfatizando a ausência e revelando o desinteresse do gestor em solucionar o conflito.

Reação surpreendente do prefeito

A postura de Luciano ao convocar coletiva logo após a reunião de Ricardo surpreendeu até o mais estratégico socialista. Ninguém esperava uma reposta imediata, muito menos o tom efusivo de Cartaxo no embate com o governador. Primeiro classificou o encontro de “Circo Político”, ressaltando as próprias palavras do governador de que não tinha competência para solucionar o impasse. Deixou claro que o objetivo de Ricardo era usar o episódio para montar palanque eleitoral.

Cartaxo aproveitou o ensejo para “expor as vísceras” da gestão estadual ao destacar a onda de explosão de bancos no estado. “O governador deve se preocupar com os problemas do estado, da prefeitura cuido eu. João Pessoa tem prefeito”, disparou. E ainda sentenciou: “Por isso, queria eleger em 2012 uma secretária para ele mandar na prefeitura e não deu certo. Tentou novamente em 2016, o povo não aceitou e pelo visto, quer fazer o mesmo em 2018”, alfinetou.

Para por fim ao debate retórico, de forma pragmática, Cartaxo se reuniu com representantes do grupo Ferreira Costa e ficou acertado que a empresa reapresentaria um novo projeto, readequando-se às leis vigentes no municipio. O novo projeto já foi apresentado, nessa sexta-feira (15), na prefeitura e espera-se que o caso tenha um desfecho definitivo e as obras se iniciem, até porque não podemos nos dá ao luxo de perder 500 empregos diretos.

“Tiro de misericórdia”

Acusado pelo governador de desprezo com a atração de investimentos  para o município, justamente no cenário de maior crise financeira dos últimos 50 anos no Brasil, Luciano Cartaxo encerrou o “moído” com uma medida econômica que desmonta o discurso socialista. Estrategicamente, aproveitou o calor do debate e anunciou incentivos fiscais para atrair empresas ao Polo Turístico do Cabo Branco. Prometeu reduzir o ISS dos atuais 5% para 2%.  Atitudes que desmontam todo tipo de retórica e silencia até o mais eloquente girassol.