Trinta e cinco agricultores de 13 assentamentos da reforma agrária de dez municípios paraibanos comercializaram sua produção na 2a Feira Estadual de Produtos da Reforma Agrária da Paraíba, realizada nesta sexta-feira (6), na praça de eventos Ponto de Cem Réis, no Centro de João Pessoa.

Agricultores de dois acampamentos também participaram do evento, que começou às 6h e só terminou no final da tarde, com todas as três toneladas de alimentos oferecidos vendidas.

Além de hortaliças, frutas, raízes, peixes, queijos, doces e mel, os assentados e acampados venderam comidas típicas, como buchada, picado de bode e tapioca, além de peças de artesanato e de plantas ornamentais e medicinais.
O superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária na Paraíba (Incra/PB), Rinaldo Maranhão, visitou a feira, que foi promovida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e contou com o apoio do órgão. Para Rinaldo, a feira foi uma oportunidade de os agricultores assentados apresentarem à população da capital paraibana a qualidade dos alimentos produzidos nas áreas de reforma agrária.
“Trabalhamos diariamente para que os agricultores assentados continuem produzindo para alimentar quem vive nas cidades. A reforma agrária continua viva e forte”, afirmou Rinaldo Maranhão.
Produção diversificada
 Uma das barracas da feira reunia a produção de algumas famílias do Assentamento Oziel Pereira, em Remígio, a cerca de 158 quilômetros da capital paraibana, na região do Agreste. Maria Luzinete Clementino da Costa, 50 anos, e seu filho, Marcos Roberto Clementino da Silva, 29 anos, ofereceram feijão-preto e feijão-carioca, feijão-fava, fava, coentro e cebolinha, além de uma panela de galinha caipira guisada, farofa e arroz. “Vendemos a comida pronta logo no começo da feira”, disse Dona Luzinete.
 Marcos Roberto considerou a feira “bastante proveitosa” porque a família conseguiu vender tudo que levou. “Essas feiras são muito importantes para nós assentados porque assim mostramos a cara da reforma agrária para a sociedade que, às vezes, tem preconceito por quem vive nos assentamentos”, afirmou.
A vida tranquila e a produção farta e diversificada, que garantem dignidade à família, são as razões que levam Marcos Roberto a dizer que fora do campo eles não teriam a mesma qualidade de vida.
Em 2017, segundo ele, a família já produziu cerca de 300 quilos de feijão-preto e feijão-carioca, 60 quilos de fava e 240 quilos de milho, além de hortaliças como coentro, cebolinha e tomate.
 “Alguns jovens se iludem e pensam que é melhor viver na cidade, mas não vejo minha vida fora do assentamento, longe da terra e da minha família. Nunca deixarei o assentamento”, garantiu Marcos Roberto.
Mãe e filho dividiram a barraca com as jovens Taíse Batista da Silva, 21 anos, que levou jerimuns e cenouras, e Andreane da Silva, 25, que vendeu os dois caldeirões de buchada que preparou.
Produtos de qualidade
 A manicure Vani Nascimento, 42 anos, mora longe da praça, mas aproveitou uma ida ao centro da cidade para visitar a feira e abastecer a geladeira de casa. Junto com o marido, Luiz Avelino da Silva, um pedreiro de 48 anos, encheu uma sacola de feijão-verde ainda nas vargens.
“Soube da feira pela televisão e, como sou do campo e já conheço outras feiras da reforma agrária, vim comprar o que estava faltando em casa. Sei que os produtos daqui são mais gostosos e duram mais na geladeira do que os comprados no supermercado”, afirmou Dona Vani.
Quem vendeu o feijão a ela e a Seu Luiz Avelino foi o casal de assentados Edilane Hostettler, 38 anos, e Marcos Rosas Xavier, 35 anos, que participam da coordenação do Acampamento Arcanjo Belarmino, em Pedras de Fogo, a 54 quilômetros de João Pessoa, no Território da Cidadania Zona da Mata Sul.
 “O acampamento só existe há três meses, mas, assim que chegamos já plantamos esse feijão que trouxemos hoje”, contou Dona Edilane, mais conhecida como Solange.
Segundo ela, além do feijão-verde, as cerca de 600 famílias que vivem no acampamento já plantam batata-doce, macaxeira, cenoura, tomate, pimentão, alface e coentro. A produção é vendida dentro do acampamento e na feira-livre de Pedras de Fogo.