A Direção do PSTU em João Pessoa divulgou nota à imprensa, neste domingo (7), para anunciar o rompimento com a Frente de Esquerda criada na capital, que tem o sindicalista Vitor Hugo (PSOL) como candidato a prefeito de João Pessoa.

Em convenção no dia 21 de julho, o PSTU indicou a professora Rama Dantas como campanheira de chapa de Vitor Hugo. O motivo para o rompimento seria a politica de alianças do partido.

Na nota, o partido afirma que o PSOL, aceitou financiamento de empresas e  empresários em várias cidades do país, mas aqui em JP, acreditava que seria diferente. Porém, segundo a legenda, “muitos se venderam e traíram os trabalhadores”. No entanto, o PSTU isenta Vitor Hugo.

CONFIRA A NOTA:

Normalmente, as eleições municipais são marcadas por questões específicas dos bairros e por campanhas clientelistas. No entanto, as eleições deste ano se dão em uma situação diferente e muito especial.

O país vive a maior crise econômica de sua história. São os trabalhadores e trabalhadoras e os setores populares os que estão pagando por ela com enormes sacrifícios. São mais de 11 milhões de desempregados. O preço dos alimentos sobe todos os dias. A renda média da população caiu 9% nos últimos três anos. A dos pobres, muito mais. O governo e os patrões planejam impor sacrifícios ainda piores: aumentar a idade mínima de aposentadoria para 65 anos; retirar direitos trabalhistas e cortar gastos sociais em Saúde e Educação. Enquanto eles enchem os bolsos com a corrupção e os roubos milionários de dinheiro público.

Por outro lado, durante muitos anos, os trabalhadores e o povo pobre viram os governos do PT como uma alternativa para melhorar suas condições de vida. Foram traídos. O PT se aliou com partidos burgueses de direita como o PMDB, o PSD e o PP, se atolou até o pescoço no mar de lama da corrupção e terminou adotando medidas contra os trabalhadores e o povo, que hoje o governo Temer trata de continuar.

O PSTU foi o primeiro a denunciar (e continua a fazer isso) que as eleições são manipuladas pelo poder econômico. Que os candidatos, inclusive a esquerda oportunista, são financiados pelos empresários e depois devolvem este dinheiro em “benefícios”, também chamados de propinas ou superfaturamentos em obras públicas.

Participamos das eleições para oferecer uma alternativa independente dos patrões e dos governos, uma alternativa de luta pelos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras e do povo pobre. Não aceitamos dinheiro de empresas nem de empresários.

Temos um programa com propostas em defesa dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, emprego, salários dignos, moradia, transporte, saúde e educação. Que os ricos paguem pela crise. Um programa que levante a luta contra este governo e todos os políticos exploradores e corruptos. Fora Temer e Fora todos eles!

No nosso estado, a situação da classe trabalhadora não é diferente, o governador “socialista” Ricardo Coutinho governa com mão de ferro, e trata o servidor de forma desumana, congelando os salários em um momento em que a inflação e o custo de vida aumentaram vertiginosamente, além disso os serviços oferecidos a população paraibana são cada vez mais escassos e caóticos, os/as trabalhadores/as não tem empregos, não tem segurança, não tem saúde e educação de qualidade e a lista de maldades se estende para todos os lados.

Na cidade de João Pessoa, não existe diferença entre o governo Cartaxo e o governo dos seus antigos aliados Ricardo e Dilma/Temer, na saúde o principal exemplo do descaso é o “Trauminha” em Mangabeira onde a população sofre a espera de um atendimento ou de uma cirurgia, com os servidores não há diferença no tratamento, os professores foram brutalmente atacados na última greve e desrespeitados com o descumprimento da lei do piso, se nacionalmente existem vários escândalos de corrupção, aqui o prefeito faz tudo para que CPI’s como a da Lagoa não aconteçam.

Para barrar estes ataques que os/as trabalhadores/as vem sofrendo é necessário construir uma grande greve geral para derrubar Temer e todos os demais, rumo a novas eleições sobre o controle dos trabalhadores, só com a luta da classe trabalhadora poderemos derrotar este governo e impedir ataques às nossas conquistas e conseguir novos avanços.

Neste sentido havia uma necessidade urgente de garantirmos a unidade da classe trabalhadora com um programa classista, e assim se desenhava a construção da Frente de Esquerda em João Pessoa. No dia 21de julho, o PSOL realizou a sua convenção municipal em João Pessoa, nela foi homologada a candidatura de Victor Hugo para prefeito de João Pessoa, na atividade estavam presentes militantes de várias organizações e compondo a mesa estava a companheira Rama Dantas, então pré-candidata pelo PSTU a vice-prefeita em uma coligação com o PSOL. Estávamos dispostos a compor a Frente de Esquerda em João Pessoa por acreditarmos que aqui na Paraíba ela era possível pela postura diferenciada do PSOL, aqui não se aceitaria de nenhuma forma financiamento de empresas e empresários, como infelizmente aconteceu com o PSOL em outros lugares.

Uma candidatura para os trabalhadores e trabalhadoras tem de rechaçar explicitamente a política dos governos do PT de colaboração com os banqueiros, empreiteiros e corruptos, que levou o país a uma enorme crise econômica com mais de 12 milhões de desempregados e, agora, está totalmente envolvido nos escândalos de corrupção. A candidatura que o PSOL apresenta para prefeito, Victor Hugo, que é um conhecido lutador dos movimentos sociais e que continua na luta apesar de muitos terem se vendido e traído os trabalhadores.

Mesmo identificando no camarada Victor Hugo uma postura diferenciada, infelizmente o PSOL na Paraíba repete os mesmos erros do PSOL nacional com uma política de alianças que não faz parte do campo da classe trabalhadora, aqui estava compondo a Frente de Esquerda o movimento Raiz Cidadanista que tem como fundadora Luiza Erundina. Em São Paulo o partido cedeu a legenda para Luiza Erundina. Muitos podem não saber ou se lembrar, mas quando prefeita da capital paulista (1989-1992), Erundina não governou para os trabalhadores. Pelo contrário, enfrentou e reprimiu greves, como a dos professores e a dos rodoviários.  Após sua gestão à frente da cidade, rompeu com o PT para integrar o governo de Itamar Franco. Ingressou posteriormente no PSB, e chegou a ter o atual presidente interino, Michel Temer, como vice em sua chapa à prefeitura em 2004.Em uma recente entrevista, Erundina afirmou que poderá compor o seu governo na prefeitura de São Paulo com petistas.

É necessário que o PSOL de João Pessoa rompa com essa prática de alianças com partidos e organizações que não são da classe, que exija que os outros diretórios também façam o mesmo, pois não entendemos como o PSOL pode ser oposição a Cartaxo/PSD e Ricardo/PSB aqui na capital, e em Sousa por exemplo, apoia uma candidatura dos partido destes dois senhores.

Diante dos fatos, o PSTU vem publicamente anunciar, que não compõe mais a Frente de Esquerda em João Pessoa. A nossa convenção, realizada nesta sexta-feira dia 05 de agosto, aprovou por unanimidade a ruptura e o lançamento de nossas candidaturas. Não iremos neste pleito lançar candidaturas para o cargo majoritário e assim, mesmo discordando da política de alianças do PSOL, iremos chamar os/as trabalhadores/as de João Pessoa a votarem em Victor Hugo a prefeito de nossa capital por acreditarmos na trajetória de luta do camarada.

Lançaremos a companheira Rama Dantas como candidata a vereadora para mostrarmos a classe trabalhadora que a luta das mulheres é um problema de classes e que só a construção de uma sociedade mais justa e igualitária é que poderá realmente trazer as melhorias que tanto essa maioria de nossa sociedade tanto necessita.

Precisamos construir o “Fora Temer, Fora todos eles”, romper com os banqueiros, empreiteiros e grandes empresas e apresentar um programa operário e socialista. “Esta candidatura não é apenas pelo Fora Temer, mas também pelo Fora Cartaxo, Fora Ricardo Coutinho, Fora todos eles! Rumo a uma greve geral para derrubar todos eles!” afirmou Rama Dantas na convenção do PSTU.

Por uma João Pessoa para os/as trabalhadores/as, para a juventude e a população mais pobre! Basta de governarem para os ricos!

Por um governo dos/as trabalhadores/as baseado em conselhos populares, em que os/as trabalhadores/as de forma organizada, junto com a juventude mais carente, o movimento popular, os movimentos de luta contra a opressão, contra o machismo, o racismo e a LGBTfobia, decidam os rumos da cidade! Não precisamos nem queremos mais dos mesmos, queremos uma revolução pra mudar de verdade!