O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, encontrou com a presidenta Dilma Rousseff, nesta quarta-feira (20), no Palácio do Planalto, e declarou apoio a ela diante do processo de impeachment em curso no Congresso Nacional. Coutinho afirmou que a sessão da Câmara dos Deputados que autorizou a continuidade do processo teve “cenas grotescas” e foi um “ataque profundo à democracia”, e que tirar a presidenta sem nenhuma denúncia contra ela não resolve os problemas do País.

“Diferentemente da presidenta, que não tem denúncia nenhuma contra ela, muitos dos parlamentares que estavam dentro do Congresso eram denunciados, votando em nome da família, em nome de Deus, em nome disso e daquilo para tentar se justificar perante uma suposta catarse coletiva que gostaria de mudar a presidente como se isso resolvesse automaticamente os problemas. Não resolve”.

Para o governador, os políticos por trás do impeachment não possuem afeição pela democracia e buscam construir um “pacto sem o povo”.

“Não há mais espaço para isso no Brasil [pacto sem o povo]. O nosso bem maior acima de qualquer coisa é a democracia, são as regras limpas, determinadas e definidas para o jogo democrático. Quando essas regras são abaladas, se abala tudo”.

O governador disse ainda que os parlamentares pró-impeachment se apropriaram de um discurso importante do povo brasileiro que não cabe a eles: o combate à corrupção. Na opinião de Coutinho, o histórico de grande parte dos deputados depõe contra isso. “E lhes digo uma coisa, se o Senado aceita o processo de impeachment, no outro dia é que perde força totalmente essa questão do combate à corrupção”.

Coutinho afirma que, assim como a maioria dos governadores, não quer passar por mais turbulências políticas. Por isso, é preciso que o Senado analise a continuidade do processo com o maior cuidado possível.

“Usurpar um poder é algo inaceitável. Isso só pode ser feito quando alguém, algum governante, dá demonstrações claras que faltou com decoro ou, cometeu crime de responsabilidade. Não é o caso da atual presidenta, e é preciso que a nação tenha uma consciência muito grande disso para que o Brasil não possa dar um passo no qual ele não vá mais se recuperar, porque estará inscrito na história como um grande golpe”.

O governador acredita que, depois da votação de domingo (17), a sociedade retomou o olhar crítico sobre as ações do Congresso Nacional, se posicionando cada vez mais contra o golpe.

“O Brasil já passou da época de ser uma republiqueta onde as elites acham que podem manipular a consciência crítica da população a qualquer momento. Podem até manipular por algum momento, como fizeram, mas não em todos os momentos.