Pode-se questionar, discordar e até criticar a decisão da Câmara Federal. Faz parte do jogo democrárico. O que não se sustenta, é a tese de golpe na democracia, porque a decisão do parlamento tem o respaldo do povo brasileiro.

Nesse processo, majoritariamente, a população brasileira foi às ruas pedir o fim do governo do PT. É fato. A premissa é tão verdadeira, que partidos da base de Dilma, pressionados pelo povo, deixaram o poder. Não é algo comum de acontecer.

As pesquisas de opinião apontam que 70% da população aprovam o impeachment e em consonância com as vozes das ruas, 72% dos deputados votaram pelo impedimento.

A força das ruas foi tão avassaladora que vimos deputados que, pessoalmente, eram contra o afastamento de Dilma, mas votaram pelo impeachmet, justificando que não podiam dar as costas para a vontade do povo.

O argumento do golpe é frágil porque todo rito foi legal, constitucional e respaldado pelo Supremo Tribunal Federal. Aceditar em golpe, é admitir que a mais alta corte deste país está conspirando contra a própria constituição. O que seria uma insanidade.

Dilma não foi derrotada pela oposição. Foram os próprios governistas que a impediram de continuar. PP, PTB, PSD e PR foram os aliados da presidente que ajudaram a denestrá-la do poder. Um reconhecimento de que não havia mais condições políticas, moral e econômica do PT permanecer no poder. Senão, a decisão mais cômoda seria permanecer onde já estava.

Sem legitimidade das ruas, com apenas 137 votos na Câmara Federal, a corrupção no epicentro do governo e a economia em frangalhos, o próprio governo deve ter altivez de reconhecer a inapitidão de continuar comandando o país.

O impedimento de Dilma não é a panaceia para os problemas do Brasil, mas é o pontapé inicial para um processo de mudança. Não acredito que vá parar por aí. Vai continuar com a cassação de Cunha, com as investigações de Temer e o aprofundamento das investigações da Lava Jato.

Os brasileiros que foram às ruas não são contra partidos políticos, mas contra a corrupção. Estamos no caminho certo. Agora é continuar nas ruas dando apoio ao combate à impunidade e cobrando as reformas necessárias para mudar o sistema político apodrecido do Brasil.

A esperança venceu a arrogância. O povo venceu o conformismo. Amadurece a democracia e avança o Brasil.