Diante de um cenário de crise financeira que o Brasil enfrenta, a palavra de ordem é corte de gastos públicos, contenção de despesas e austeridade. Na Paraíba não é diferente. Equilíbrio nos gastos, redução de cargos comissionados, prestadores de serviço e codificados. Além de redução da carga horária dos servidores para reduzir custos. Esses são alguns dos efeitos da crise.

Mas os deputados paraibanos ignoram essa realidade e já se articulam para implantar o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). A ideia, segundo eles, é desafogar o TCE (Tribunal de Contas do Estado) e acelerar os julgamentos das contas das prefeituras, que passaria a ser responsabilidade exclusiva do TCM. O tribunal seria composto por sete vagas, cinco indicadas pela Assembleia Legislativa e duas pelo Ministério Público.

Salário de R$ 26 mil, auxílio alimentação, plano de saúde, carro à disposição, poder para empregar assessores e um emprego vitalício. A questão é: quem vai pagar mais esta conta? de onde virão os recursos? é urgente ou essencial a instalação desse Tribunal? esse tema é prioridade num estado tão pobre e assolado pelos efeitos da crise? são questionamentos que devem ser direcionados aos nossos representantes.

A campanha pelo voto já começou na AL. Deputados de oposição, que até semana passada, eram radicalmente contrários ao TCM, foram seduzidos pela ideia de conquistar uma das vagas e, agora, admitem a possibilidade de votar a favor. Uma vergonha! Um desrespeito! Uma afronta!

Num Estado com índices alarmantes de violência, o clamor é por mais policiais nas ruas. Num Estado onde mais se mata por causa do envolvimento com drogas, o clamor é pelo combate ao entorpecente. Num Estado com problemas de falta de médico, de remédio e de vagas nos hospitais, a sociedade clama por mais investimentos na saúde. Num Estado onde as pessoas estão morrendo de sede no sertão, é no mínimo, desrespeitoso e inoportuno–para não dizer imoral- a intenção de implantar o TCM.

É por esses e muitos outros motivos, que a classe política é tão desacreditada. Os interesses pessoais sobrepõem os da coletividade!